Torricelli
Torricelli nasceu em Faenza, Itália, 15 de outubro de 1608; e faleceu em Florença, Itália, 25 de outubro de 1647.
De acordo com seu desejo, ele foi sepultado na Igreja de San Lorenzo em Florença, mas o local do seu túmulo é desconhecido.
Depois de superar sua desconfiança inicial sobre o novo método, Torricelli usou-o como um instrumento heurístico para descobrir novas proposições, que foram então demonstradas pelos métodos clássicos. O uso conjunto desses dois métodos- o dos indivisíveis por descoberta e o processo de Arquimedes para demonstração- é muito frequente na Opera geometrica. A primeira parte, compilada em 1641, estudava figuras geradas pela rotação de um polígono regular inscrito ou circunscrito em um círculo, por um de seus eixos de simetria (já mencionado por Arquimedes). Torricelli observou que se um polígono regular tem lados iguais, um de seus eixos de simetria une dois vértices opostos ou os pontos médios de dois lados opostos; se, por outro lado, não tem lados iguais, um de seus eixos de simetria une um vértice com o ponto médio do outro lado. Com base nessas observações , ele classificou tais sólidos de rotação em seis tipos, estudou suas propriedades, e apresentou algumas novas proposições e novas relações métricas para os corpos completos da geometria elementar.
Na terceira edição, Torricelli mostrou que a área comprimida entre a ciclóide e sua base é igual a três vezes a área do círculo de geração. Como um apêndice para essa parte do trabalho, há um estudo do volume gerado por uma área animada por um movimento helicoidal sobre um eixo de seu plano, com a demonstração que ele é igual ao volume gerado pela área numa rotação completa sobre o esmo eixo. Torricelli aplicou esse elegante teorema para vários problemas e em particular à superfície de um parafuso com uma linha quadrada, que ele mostrou ser igual a uma parte conveniente de um parabolóide com um passo.
A geometria dos indivisíveis também foi aplicada por Torricelli para a determinação do centro de gravidade de figuras. Em carta a Michelangelo Ricci, datada de 7 de abril de 1646, ele comunicou o "teorema universal", ainda hoje considerado o mais geral possível, que propõe a determinação do centro de gravidade de qualquer figura através da relação entre duas integrais. Na determinação do centro de gravidade de um setor circular, Torricelli chegou ao mesmo resultado, talvez sabido por ele, que Charles de La Faille encontrou em 1632.
Torricelli também direcionou sua atenção para a retificação de arcos de um curva, que Descartes em sua Géometrie de 1637 tinha declarado ser impossível, depois de ter aprendido de Mersenne que Roberval tinha demonstrado a igualdade do comprimento de arcos particulares de uma parábola e de arcos da espiral de Arquimedes. Tendo concebido a espiral logarítmica, que ele chamava "geométrica", ele pensou num procedimento que seguia a retificação com soberania e compasso, de um seção completa comprimida entre qualquer ponto da curva e o centro, para onde a curva tende, depois de um infinito número de revoluções.
Em adição a essas contribuições ao cálculo integral, Torricelli descobriu muitas relações do cálculo diferencial. Dentre as aplicações que ele fez ao conceito de derivada, escrito da doutrina do movimento, deve-se ressalvar sua pesquisa sobre os máximos e mínimos.
Essa proposição equivale a dizer que os fenômenos dinâmicos são reversíveis. Dentre os muitos teoremas sobre balística externa, Torricelli mostrou que parábolas correspondentes a uma dada velocidade inicial e a diferentes inclinações são todas tangentes à mesma parábola.
A Torricelli é normalmente creditado - embora seja algumas vezes atribuída ao Grande Duque Ferdinando II - ter convertido o primitivo termoscópio a ar de Galileu a um termômetro líquido, o primeiro com água e mais tarde com vinho. Por outro lado, há grande evidência de sua habilidade técnica para trabalhar com lentes de telescópio, uma habilidade certamente adquirida durante sua estada em Florença. No outono de 1642 ele já era capaz de fazer lentes de forma alguma medíocres, embora ele não atingisse a excelência das lentes do perito em lentes de telescópio da época, Francesco Fontana.
A fama das excelentes lentes de Torricelli se difundiram rapidamente e ele recebeu muitas solicitações, as quais ele satisfez com um bom lucro. Ele atribuía a eficiência dos telescópios servidos por suas lentes a um processo de usinagem que foi mantido em segredo na época, mas que foi descrito em certos papéis após sua morte, e que foram mais tarde perdidos. Pelos papéis restantes, é possível reconstruir o segredo de Torricelli: usinagem bem acurada nas superfícies, boa seleção de vidros, e não sujeitar as lentes a "piche ou qualquer tipo de fogo". Mas sua ultima precaução tinha sido recomendada por Hieronymus Sirturi em seu Telescopium, perto de 1618.
As conferências dadas por Torricelli em várias ocasiões, e coletadas por Tommaso Bonventuri no volume póstumo Lezione accademiche, eram de preferência sobre física. Ele anexou oito conferências à Accademia della Crusca, da qual foi membro (uma conferência de agradecimento pela admissão na academia, três em força de impacto, duas sobre claridade, uma sobre o vento, e uma sobre fama); uma em elogio aos matemáticos, dada ao Studio Fiorentino; duas sobre arquitetura militar na Academy of Drawing, e uma sobre economia para o "o século dourado", doada para a "Accademia dei Percossi".
Do ponto de vista da física, as conferências sobre força e impacto e a sobre vento tem um interesse particular. No início, ele disse que estava relatando idéias expressas por Galileu em suas conversas informais, e não havia nenhuma falta de observações originais. Na conferência sobre vento, Torricelli refutou a teoria corrente sobre formação do vento; ele lançou a moderna teoria de que os ventos são formados por diferenças de temperatura, e portanto da densidade, entre duas regiões da Terra.
Mas o nome de Torricelli é acima de tudo conhecido por seus experimentos barométricos. O argumento do vácuo remonta às primeiras escolas gregas de filosofia, principalmente com Aristóteles, variando com o passar das épocas. Em aproximadamente 1613, Galileu opôs-se aos argumentos de Aristóteles contra o vácuo e demonstrou experimentalmente o peso do ar. Mas, como a maioria de seus contemporâneos, ele acreditava que os elementos não tinham peso neles mesmos; portanto, apesar de verificar o peso do ar, ele não era capaz de deduzir pressões com o ar atmosférico. Galileu avançou a hipótese da existência de uma "força de vácuo", que empurrava uma coluna de água, como num tubo de aproximadamente 9 metros ou mais.
Em 1630, Giovani Battista Baliani propôs que a causa do problema do limite da coluna d'água devia-se ao peso do ar, que segurava a coluna. Galileu reafirmou sua teoria sobre a força de vácuo. A discussão sobre a questão continuou, até a morte de Galileu, persistindo ainda com seus seguidores por vários anos, em Roma e Florença.